segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Será mesmo assim?

Louis-Léopold Boilly, Auto-retrato
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«-Toda a gente gosta de falar de si própria.
- Calculo que sim – admitiu Jane.
- (...) Baseia-se numa necessidade fundamental da natureza humana: a necessidade de falar... de se revelar. (...)»
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Poirot, in Agatha Christie, Morte nas nuvens, Edições Asa, 2015, pp. 161-162.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Para o Dia Mndial do Gato

August Macke, Still Life with Cat (1910, Lenbachhaus Art Gallery, Munich)
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Hoje comemora-se o Dia Mundial do Gato. A 8 de Agosto comemora-se o Dia Internacional do Gato, mas também há o dia de abraçar o gato (4 de Junho) e o dia do gato preto (17 de Novembro) - link. Como gosto dos felídeos, achei que seria uma boa desculpa para colocar aqui uma pintura que descobri recentemente, de August Macke, com um gato de ar satisfeito, junto de peças de cerâmica, uma sardinheira e uma pintura (ou cartaz?) de uma banda (de jazz?).
É ainda uma boa oportunidade para colocar aqui outros gatos, incluindo uns que estão na exposição «Animais na Cerâmica Caldense. Colecção de João Maria Ferreira», patente no Museu da Cerâmica, e que afinal só encerra dia 28 deste mês.
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Júlio Pomar, O gato das botas
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José Joaquim Pinto da Silva, 2º Visconde de Sacavém, Atelier Cerâmico, Taça (lã). Gato (1892-1896, Colecção de João Maria Ferreira - © Margarida Araújo)
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Rafael Bordalo Pinheiro, Fábrica Bordalo Pinheiro, Gata "Pili" (1908-1920, Colecção de João Maria Ferreira - © Margarida Araújo)
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Herculano Elias, Paliteiro. Gato a Tocar Violino (1888-1939, Colecção de João Maria Ferreira - © Margarida Araújo)
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Lisa Larsen, Moses

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Memórias

Edgar Degas, Emma Dobigny (1869)
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«Bob was giving her question some thought. “I have accumulated large amounts of sensory data. This has altered my operating parameters.” He looked down on her. “These are my … memories.”
“Memories, huh?” She smiled. “Memories. You sound sort of… almost proud of them.”
He cocked his head. “They are mission log. They are performance data. They are…”
“You”, she finished for him. “They are you. They are what make you. That’s what my dada used to say. What makes us who we are is all the things we experience.” (…)»
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Alex Scarrow, Time Riders, The Eternal War, Puffin, 2011, 39.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Arquimedes e a coroa de Hierão

Domenico Fetti, Arquimedes pensativo (1620, Gemäldegalerie Alte Meister, Dresden)
 
«Arquimedes também descobriu muitas coisas admiráveis (...). De todas elas exporei uma que parece ter sido gizada com profunda sagacidade. Hierão reinava em Siracusa com excesso de régio poder e determinou colocar uma coroa votiva de ouro num determinado templo, dedicada aos deuses imortais, comemorando os seus feitos. Providenciou os dinheiros necessários e pesou a quantidade certa de ouro para o adjudicatário. Este, no tempo aprazado, levou à apreciação do Rei a obra finamente lavrada (...).
Todavia, constou que teria sido retirado ouro e teria sido acrescentado o equivalente em prata nesta execução da coroa. Hierão, ofendido por ter sido ludibriado e não encontrando maneira de provar o furto, pediu a Arquimedes que se encarregasse da resolução do caso. Aconteceu então que este, pensando nisso, ao dirigir-se aos banhos públicos, tendo entrado na banheira reparou que saía dela uma quantidade de água equivalente ao seu corpo (...). Vendo que isto era a solução, não ficou ali mais tempo, antes, cheio de alegria, saltou para fora da banheira e, correndo nu para casa, gritava em alta voz que tinha descoberto (...). Com efeito, correndo, clamava muitas vezes, em grego: eureka, eureka*!
Então, levado pela sua descoberta, segundo se diz, utilizou duas barras de peso igual ao da coroa, sendo uma de ouro e outra de prata. Tendo feito isto, encheu com água um grande vaso, até aos bordos, no qual introduziu a barra de prata. Vazou tanta água quanto o volume introduzido dentro do vaso (...).
Tendo feito esta experiência, introduziu do mesmo modo (...) a barra de ouro e (...) concluiu que havia vasado em menor quantidade: era tanto menos quanto a massa do mesmo peso do ouro em relação ao da prata. Por fim, posta a própria coroa na mesma água com o vaso repleto, descobriu que transbordara mais água com a coroa do que com a  barra de ouro que tinha o mesmo peso e assim, (...) concluiu pela mistura da prata no ouro e pela manifesta burla do adjudicatário.»
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* encontrei, encontrei!
Vitrúvio, Da Arquitectura (IX, 9-12), in M. Justino Maciel, «Os "Proæmia" Vitruvianos», in Estudos de Arte e História, Homenagem a Artur Nobre de Gusmão, Lisboa, Vega, 1995, pp. 366-367.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

As mãos de Rodin

La Cathédrale (1908, Musée Rodin, Paris)
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Le Secret (1910, Musée Rodin, Paris)
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Mains d'amants (1908, Musée Rodin, Paris)
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La Main de Dieu ou La Création (1896 ?, Musée Rodin, Paris)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Pensamento do Dia

Fotografia do Pensador de Rodin (1903) in Didattcarte
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«Being a philosopher, I have a problem for every solution.»

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Frases de filmes III

David Rokeby, Long Wave (2009) na Allen Lambert Galleria de Santiago Calatrava (1990-1992, Brookfield Place, Toronto)
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«(...) it's hard to have ideas. And easy to give up.»
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Tomorrowland (2015)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Simplificar

Franz Ludwig Catel, A view of Naples through a window (1824)
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«A bed.
A desk.
A couple of chairs. No more than that. After all, what more does a true genius want? The mind itself is the place where all the real treasures, the works of art, the indulgence exist.»
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Alex Scarrow, Time Riders. The Eternal War, Puffin, 2011, 7.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Da alma e da inteligência

Giuseppe Maria Crespi, Book shelf with music writing (1730)
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«Tendo sido lançado à costa de Rodes num naufrágio, o filósofo socrático Aristipo, ao descobrir esquemas geométricos na praia, teria exclamado para os companheiros: "Tenhamos esperança! Vejo sinais de homens". (...)
Com efeito, são estas as verdadeiras guardas da vida, as quais nem a tempestade iníqua da Fortuna, nem a mudança dos governos, nem a devastação da guerra poderão prejudicar. Teofrasto (...) afirmando que mais vale a instrução do que a segurança das riquezas, assim afirmou: "Sozinho, o douto não é peregrino em terras estranhas, (...) mas em toda a cidade será cidadão e sem temor poderá desdenhar os penosos reveses da fortuna (...)".
Epicuro (...) não pensava doutro modo: "A Fortuna oferece poucas coisas aos sábios, mas dá-lhes o que (...) lhes é necessário: que se possam governar pelos pensamentos da alma e da inteligência". (...) Assim como todos os dons são oferecidos pela Fortuna, do mesmo modo e facilmente são arrebatados por ela. Todavia, a educação, conjugada com a força do ânimo, jamais se extingue, antes permanece estavelmente até ao fim da vida.
Por isso, eu estou reconhecido (...) aos meus pais, porque, seguindo a lei ateniense, procuraram educar-me na Arte, que não pode ser exercitada sem a aprendizagem da literatura e sem o conhecimento geral de todas as disciplinas. Como, pois, pelo cuidados dos meus progenitores e pelos ensinamentos dos meus mestres eu obtive abundante cópia de conhecimentos, (...) ⦏pude⦐ concluir como norma de vida: "Não há necessidade de possuir o supérfluo ou, por outras palavras, o mais alto grau de riqueza consiste em não desejar ser dono de nada»". (...)»
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Vitrúvio, Da Arquitectura (VI, 1-4), in M. Justino Maciel, «Os "Proæmia" Vitruvianos», in Estudos de Arte e História, Homenagem a Artur Nobre de Gusmão, Lisboa, Vega, 1995, pp. 355-356.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Do espiritual na arte (segundo Emil Nolde)

Emil Nolde, Stormy sea (c. 1930, National Gallery of Art, Washington)
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«Pictures are spiritual beings. The soul of the painter lives within them.»
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Os olhos da mente

Odilon Redon, Closed eyes (1894)*
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«(...) Feche os olhos, meu amigo, em vez de os esbugalhar. Use os olhos do cérebro, não os do corpo. Deixe funcionar as celulazinhas cinzentas da mente... Encarregue-as de lhe mostrarem aquilo que realmente aconteceu.»
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Poirot, in Agatha Christie, Morte nas nuvens, Edições Asa, 2015, p. 87.
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August Natterer, My Eyes in the Time of Apparition (1913)
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«Japp abanou a cabeça de um modo quase compassivo. – Enfim, cada tolo tem a sua mania. Mas não é mau ter os olhos bem abertos.
- Eu não tenho – murmurou Poirot. – Fecho os olhos... e penso.
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Poirot in «O desaparecimento de Mr. Davenheim», Agatha Christie, As investigações de Poirot, Edições Asa, 2015, pp. 157-158.
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* Esta pintura de Odilon Redon faz-me lembrar um desenho de João de Deus, que já publiquei aqui em Fevereiro de 2011, com o título de Paz Interior I.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Frases de filmes II

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«Sometimes it's the very people who no one imagines anything of who do the things no one can imagine.»
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Para o Dia de Nossa Senhora da Luz

Pelo que descobri, esta festividade está ligada ao tema da Apresentação de Jesus no Templo.
 
Mestres do Retábulo de São Bento (Gregório Lopes e Jorge Leal), Apresentação do Menino no Templo (1520-1525, Museu Nacional de Arte Antiga)
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Em Portugal comemora-se como dia de Nossa Senhora da Luz.
 
Nossa Senhora da Luz (Virgem do Carvoeiro) (Séc. XVI, Museu de Arte Sacra de São Paulo)
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Está também ligada à festa da candeia, que passou a festejar-se na Igreja Católica desde o séc. IV ou V. Supostamente tem origens pagãs (a Lupercália que se festejava a 15 de Fevereiro) - ver mais sobre o assunto aqui.
 
Marianne Stokes, Candlemas day (1901, Tate Britain)
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Em França é a Fête des Chandelles e é dia de comer crepes :-)
 
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Como certamente (e infelizmente) não vou ter oportunidade de comer crepes, vou talvez, pelo menos, acender uma vela
 
Pieter Claesz, Still life with a burning candle (1627)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Violeta(s)

Albrecht Durer, Violet Bouquet
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Édouard Manet, Bouquet of violets (1872)
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Anna Eliza Hardy, Still Life of Violets
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Heinrich Kuhn, Violets (1908)
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Ferdinand Georg Waldmüller, The violet girl 
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John Singer Sargent, Violet (1886)
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Cuno Amiet, The violet hat (1917)
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Eyvind Earle, Violet tree and barn (1975)
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De Wain Valentine, Circle violet to black (1971)
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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Da Terra

Zinaida Serebriakova, View from the Window
 
«Chego agora aos prazeres daqueles que se dedicam à agricultura, nos quais encontro deleite maravilhoso. Não constituem eles obstáculo para a velhice e são, conforme me parece, absolutamente conformes à vida do sábio. Têm eles uma conta a ajustar com a terra, a qual nunca recusa o seu poder (...). E, todavia, aquilo que aprecio mais não é apenas o produto, mas ainda o próprio vigor natural da terra (...).
(...) o vigor próprio a todos os seres engendrados pela terra e capaz de transformar um grão tão pequeno do figo, ou uma grainha, ou as sementes minúsculas dos outros frutos ou plantas, em troncos e em ramos grossos. As vides, as plantas, os sarmentos, as plantas vivas, os rebentos novos não hão-de eles provocar a admiração e alegria de qualquer um de nós? (...)»
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Marco Tílio Cícero, Catão-o-Velho ou Da Velhice, Lisboa, Cotovia, 1998, pp. 38-39.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Do Ano do Galo

Galo (Séc. XVII, Museu Nacional Machado de Castro)
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Ito Jakuchu, Roosters (séc. XVIII)
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António Alves da Cunha, Floreira. Galo (1879, Museu da Cerâmica)
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Moura Girão, Um galo (1885, Museu de José Malhoa)
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Akseli Gallen-Kallela, The girl and the rooster (1886)
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Rafael Bordalo Pinheiro, Galo (1901, Museu da Cerâmica)
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Gustav Klimt, Garden with roosters (1917)
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Marc Chagall, The rooster (1929, Thyssen-Bornemisza Museum, Madrid)
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Pablo Picasso, Le coq (1938)
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Xu Beihong , Rooster (1943)
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Fernando da Ponte e Sousa - SECLA, Galo a lutar (c. 1950-1955, Colecção de João Maria Ferreira, Caldas da Rainha - © Margarida Araújo)
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Barcelos, Galo assobio (Museu de Arte Popular)